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Jouer Entrevista #10 | Julia Asche

O Jouer Entrevista #10 está mais que especial, tivemos o prazer de bater esse papo com a Julia Asche, criatura que admiramos  o trabalho e que é responsável por linkar um tanto de parceria mára por ai.

Júlia é sócia da Rede Design Possível e fundadora da Rede Articulando, Fomento ao Artesanato Paulista. É designer formada pela Universidade Mackenzie e tem especialização em Meio Ambiente e Sociedade pela Fund. Escola de Sociologia e Política.

Foi através da Rede Design Possível, lá atrás, que iniciamos nosso trabalho com o grupo Pano pra Manga, e consequentemente, com a Economia Solidária.

Vem saber mais!

JC-  Como você se envolveu com a Economia Solidária?

Julia - Acho que a primeira coisa a se falar é sobre o que vem a ser Economia Solidária, certo? =)

Existem várias definições e correntes… mas acho que o importante é entender que a Economia Solidária é uma forma de produzir, consumir e pensar diferente. Diferente porque leva em consideração as pessoas (produtores e consumidores), o meio ambiente e o contexto social em que se insere. As atividades econômicas, como a produção, o comércio, os créditos, a prestação de serviços ou a gestão administrativa acontecem de forma autogestionária e democrática (ou seja, sem “patrões”, de forma coletiva e por todos os integrantes) e de forma transparente ao longo da cadeia de produção.

 

Meu envolvimento com a Economia Solidária aconteceu junto com o desenvolvimento do Design Possível. O Design Possível nasceu com o intuito de levar as ferramentas do design para outros espaços e grupos (muitas vezes marginalizados ou excluídos) com o objetivo de transformação social. Descobrimos que o nosso trabalho e nossa maneira de fazer era Economia Solidária!

 

JC- Como tem se dado a trajetória de linkar marcas com os projetos de costura da Economia Solidária?

 

Julia - Durante nossa trajetória conhecemos marcas que desejam trabalhar de forma mais justa. Uma das etapas de produção que podem ser mudadas para que isso aconteça, por exemplo, é a parceria com grupos de costura. Mas o que todos aprendemos ao longo dessas experiências é que o processo não tem uma fórmula pronta e os produtos serão confeccionados de forma coletiva. Os projetos geralmente vão se transformando. Quanto mais integrada a marca e o grupo, mais bacana o resultado; porque se torna um projeto coletivo, sem necessariamente um(a) autor(a) mas sim divers@s autor@s. E um projeto de autoria coletiva traduz experiências e histórias diversas; elementos que tornam um “produto” em algo além.

 

Até 2015 cada oficina de costura tinha sua rotina e atividade comercial. Nós, do Design Possível, conhecíamos alguns grupos de Economia Solidária e, quando alguma marca entrava em contato, entendíamos a demanda e o contexto para indicar o empreendimento que tinha mais sinergia.
Em 2015, com o projeto “Ecosol SP” convênio Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil) e Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo, pudemos participar da construção de redes de empreendimentos por segmentos: Costura, Artesanato, Alimentação, etc. e fortalecer o contato com das marcas com os segmentos. O trabalho em Rede é mais interessante porque promove a troca de conhecimentos entre mais trabalhadoras e trabalhadores, garante um repertório maior de produção e aumenta a capacidade produtiva para a confecção de um grande número de produto de uma vez só.

 

JC - Sabemos que existe o Design Possível, a Unisol e a Incubadora Pública de Empreendimentos Solidários. Como se dá a junção dessas três frentes?

 

Julia - A Rede Design Possível, a qual faço parte, é uma associação que atua na formação empreendedora e técnica de grupos produtivos, principalmente no âmbito da inovação social e no acesso a mercado para os segmentos de artesanato, costura, alimentação, serviços e cultura. Realizamos, ao longo de mais de 11 anos de existência, projetos públicos e privados ligados à geração de trabalho e renda, a partir da nossa metodologia “Possíveis Multiplicadores”, reconhecida pela UNESCO e Fundação Banco Brasil. Além de assessorias comerciais e consultorias, nossa proposta é apoiar grupos produtivos e, assim, proporcionar maior renda e maior autonomia; contribuindo para uma sociedade mais sustentável, justa e solidária. Nós somos um empreendimento de economia solidária: todos somos sócios que decidimos de forma autogestionária, transparente e horizontal o que fazer e como fazer.

Para entender melhor a Rede Design Possível: https://www.facebook.com/designpossivel/

 

Já a Unisol Brasil – Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil, é uma entidade de representação, que atua na defesa e nas políticas públicas ligadas aos empreendimentos autogestionários e na promoção de melhoria socioeconômica de seus integrantes. Os segmentos de atuação dos empreendimentos filiados à Unisol é bem diverso: vai de cooperativas de reciclagem a cooperativas de costura, passando por empreendimentos de agricultura familiar, metalurgia, construção, artesanato, entre muitos outros!

A Unisol ajuda a construir melhores condições para as trabalhadoras e trabalhadores, mas também é  constituída por representantes dos empreendimentos, o que faz da associação efetivamente representativa.

Para saber mais sobre a UNISOL, suas atividades e conteúdos ligados ao tema: http://www.unisolbrasil.org.br/

 

A Unisol é responsável pelo projeto que cuida das ações da Incubadora Pública de Empreendimentos Econômicos Solidários desde 2015, denominado Ecosol SP. Ecosol é a abreviação de Economia Solidária.  Algumas das atividades são realizadas pelo Design Possível.

 

JC -  A Rede Costura Solidária SP integra o projeto Ecosol SP. Como funciona esse projeto? Ele abarca outras redes?

 

Julia - Ecosol SP ou “Economia Solidária como Estratégia de Desenvolvimento é um projeto da Secretaria Municipal de Trabalho e Empreendedorismo (SMTE) e, convênio com a Unisol Brasil e trata do fomento à Economia Solidária e aos diversos segmentos que existem nesse modelo.

As atividades são de apoio às redes e integração de novos trabalhadores interessados em atuar neste formato. As redes têm por objetivo construir demandas de políticas públicas específicas para cada segmento, mas também fortalecer o trabalho, compartilhar oportunidades e desenvolver estratégias de comercialização.

Em 2017 o projeto está oferecendo diversas capacitações sobre temas como Economia Solidária, Plano de Negócios e Mercado. São atividades gratuitas que acontecem na Incubadora, instalada no Cambuci (SP) e pólos descentralizados. Para saber mais sobre o projeto, datas e agendas: http://www.ecosolsp.com.br/

 

Além da Costura, existem redes de Alimentação, Artesanato, Serviços dentro do projeto.

 

JC –  Com relação ao trabalho feito com a saúde mental, como isso se desdobra? Dentro desse projeto existem grupos de costura, alimentação, marcenaria, entre outros?     

 

Julia - Existem diversos grupos nos projetos de Economia Solidária que são compostos por trabalhadores que participam através dos CAPS ou CECCOS, de equipamentos da saúde mental. Os grupos são alternativas de inclusão social, promoção de autonomia do indivíduo e resignificação de vida, além, claro, de geração de trabalho e renda.

Em São Paulo, a Rede de Saúde Mental e Economia Solidária (https://www.facebook.com/redesaudemental.ecosol/) é composta por mais de 150 empreendimentos que atuam em diversas especialidades por exemplo marcenaria, gastronomia, produção cultural, confecção e costura, artesanato, artes plásticas e muitas outras. Inclusive eles acabaram de lançar um catálogo! Para quem quiser conhecer e baixar, este é o link: http://saudeecosol.org/wp-content/uploads/2017/10/Catalogo-Rede-de-Saude-Mental-e-EcoSol.pdf

 

 

 

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